Não há como negar o fato de que toda aproximação tende ao paradoxo e à decepção. Ou será que há? Na melhor das hipóteses, eu diria que, se não é assim, parece muito ser.
A distância, quando a admiração esbarra no desconhecido, exerce fascínio único. Não sei se só em mim - este texto é feito de dúvidas -, mas em mim, com certeza. A proximidade gera conhecimento e a intimidade quebra o encanto. Sem encanto não há fascínio.
Lembro, na minha adolescência, de uma 'deusa' que me tirava do caminho - um pouco mais velha do que eu - e que, quando passava por mim, parava o ar. Eu ficava bobo, sem voz e sem ação, simplesmente fascinado pela minha musa, há milhas de distância, apesar de próxima.
Loura nórdica, nariz afilado, olhos cor de água de piscina olímpica, sempre fixos no podium e nada de olhar para os lados. Nos cruzávamos diariamente, mas... Nenhum sorriso, nenhum mole: nada. Nem um lacônico 'oi'.
Um dia antes, toda de preto, era uma Lotus. Mas, hoje, sem dúvida, eu estava prestes a bater de frente com uma Ferrari: vestido vermelho, de malha, justo, curto, a mostrar a exuberância daqueles quase oitenta centímetros de pernas. Uma aparição hiperrealista de estátua pin-up. Uma deusa sueca, do alto de seus negros saltos de quinze centímetros, somados aos seus naturais cento e setenta... e seis.
É impressionante. À distância, as imagens são, paradoxalmente, mais nítidas, quando o objeto na mira é uma mulher, ou ser sobreumano. As imperfeições se escondem ou se disfarçam e o todo hiperdimensiona a verdadeira forma do conteúdo.
Neste dia, tomei coragem, me aproximei e parei diante dela. Disse 'oi', ela respondeu secamente: 'oi'. E começamos a conversar. Pra que? Três meses depois estávamos "apaixonados".
E nunca mais, juntos, fomos felizes.
Ferro de Blog Blog
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- Sergio Vasconcellos
- Petrópolis, Rio de Janeiro, Brazil
- Sou um homem comum, com 57 anos, 4 casamentos e até agora, pelo menos, nenhum funeral. Ex-baterista de rock e de blues, canhoto, absolutamente heterosexual, publicitário heterodoxo, consultor de marketing consistente, poeta criativo e cuidadoso, músico medíocre, compositor de canções simples, arranjador detalhista e criativo. Pai bastante diferente da maioria dos que vejo por aí. Flamengo, até morrer e depois que morrer também. Radical, insuportável para algumas pessoas, romântico, temperamental, sem papas na língua, mas verdadeiro e transparente sempre. Amigo dos amigos, inimigo dos inimigos e eternamente de malas prontas para a próxima aventura.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
ATRASADO, MAS AQUI.
São as tais promessas de fim de ano. Aquelas que a gente faz quando dá três pulinhos, vira de costas, salta sete ondas no mar, faz saudação a Iemanjá, reza um Padre Nosso, por via das dúvidas consulta o Preto Velho, faz uma fezinha na numerologia e joga pra trás sei lá quantos caroços de romã.
Por alguns instantes, talvez pelo brocado jurídico "actio libera in causa", a gente finge ter uma fé inenarrável. Em tudo. É como se, a partir daquele instante, nada mais será como antes e o mundo abrirá suas portas para todos os nossos desejos, por mais estúpidos e implausíveis que sejam.
Aí, vem o dia seguinte. E, com ele, o mistério da transmutação - ritual dos sacerdotes egípicios, mestres da alquimia e amigos íntimos de Eliphas Levi, que colocavam os pobres discípulos a mexer, sem parar, o chumbo derretido nos caldeirões, até que o goleiro do time de botão virasse ouro - vai pro vaso sanitário, junto com restos imorais de pernil, coágulos de champagne, caroços de romã e uma bruta dor de cabeça.
Afinal de contas, como transmutar champagne francês em Engov; e cafezinho em Plazil é um dos mistérios ainda não decifrados.
Eu, à parte de tudo isso, não bebo nada. Tive fé, ao longo da vida, mas a perdi em algum lugar no trajeto entre o cemitério e a garagem do efício, na Rua Andrade Neves, depois de enterrar a minha mãe.
É estranho sentir na carne a experiência vivida por Krishnamurti, mas é ao mesmo tempo muito bacana. Krisshnamurti não escrevia livros. Fazia palestras, apenas e, quando muito, permitia que se as gravassem e as trascrevessem. Uma destas transcrições veio parar nas minhas mãos, encaminhada por um grande amigo e, então, mentor espiritual. O Falcon.
O nome do livro de palestra era "Transformação Fundamental" e baseava-se, integralmente, no momento em que se atinge o vazio completo: a 'grande nostalgia'. Krishnamurti, um indiano órfão, ainda criança, fora levado para Londres e lá iniciado pela portentosa escritora, filósofa e teólogola Helena Blavatsky, conhecida como Madame Blavatsky.
Sobre a 'grande nostalgia', eu precisaria encher um volumoso livro inteiramente com páginas em branco, pois vivê-la é, essencialmente, despojar-se de todo e qualquer sentimento, de toda e qualquer crença, seja lá no que for. Porque, segundo a tutora de Krishnamurti, só descrendo de tudo, por completo, se pode crer verdadeiramente em Deus.Pode parecer-se um pouco com o Paradoxo de Hawking, mas o princípio tem um meio interessante e um fim, infelizmente, um tanto intangível. De qualquer maneira, o Falcon, de certa forma e por um certo tempo, foi a minha Blavatsky. Não posso negar isso.
Valter Vicente Lopes Pereira Gonçalves, seu nome verdadeiro, era mesmo um super-herói, pousando às vezes de Bom-Bril, outras vezes de anjo da guarda. Além das suas mil e uma utilidades, como homem de propaganda e profissional de criação, foi um grande amigo. Um cara incrível, que aparecia, inexplicavelmente, sempre, nos momentos realmente difíceis, nos lugares mais estranhos e improváveis. Se você não tivesse outra saída, ele aparecia do nada.
Em julho ou agosto de 1984, eu namorava uma moça, cuja irmã, namorava o irmão dele. Não nos conhecíamos, mas ela sempre me dizia que eu tinha que conhecê-lo. Assim, numa noite qualquer de 84, lá fomos nós à casa dele, em Jacarepaguá, onde, finalmente, fomos apresentados e nos tornamos amigos inseparáveis.
Libriano como eu, nascido no dia cinco de outubro e eu no dia doze, não foi difícil encontrarmos afinidades. Música, esportes, cultura em geral e, finalmente, propaganda. Foi ele, quem olhou pra mim e disse que eu deveria largar o que estava fazendo e me tornar publicitário.
Foi ele, quem me levou para a Artplan, quem me apresentou diretamente ao Roberto, ao Nizan, ao Abréa e a toda a galera da criação.
Eu fui pra lá para prestar uma consultoria sobre os festivais de rock. Eu não fazia a menor idéia de que me tornaria, em pouco tempo, membro da equipe de produção do Rock In Rio e, posteriormente, redator publicitário. Mas isso é outra história.
O Falcon não está mais aqui. Mas eu estou. Para agradecer pela amizade, pela brothagem, pelo carinho. Para elogiá-lo e para criticá-lo também, embora não vá fazê-lo.
Juntos, iniciamos um círculo de magia branca e logo o grupo foi crescendo, crescendo, até tornar-se um clube de gente muito boa, que conviveu e experimentou coisas inexplicáveis, como situações de saída do próprio corpo, em viagens astrais. Mas passou.
Um dia, novo ainda, ele morreu, a vida seguiu e cada um de nós trilhou o seu caminho. O meu, sempre divertido e improvisado, voltou-se para a propaganda, para o rádio e para a produção músical. Outros tornaram-se empresários, alguns não tiveram sorte, outros muita.
Mas o resultado é um só. Tudo não passa de uma grande ilusão. O ego é um ledo engano. Nada muda, no espaço, no cosmo, no céu ou na terra, se não você não mudar. E mudar-se a si próprio é complicado, porque não significa sair de uma posição e ir para outra. Mas sair e ponto.
Por isso, para mim, pelo menos, fica muito claro que nada muda no mudar do ano, nem depois que se morre ou que se sobrevive a uma situação de morte.
A vida é apenas uma fria manifestação natural, impessoal e linear. Não há espaço para sentimento algum, quando se atinge o estado da 'grande nostalgia'. Nada de pena, saudade, justiça, injustiça, ódio. Não existe alegria nem tristeza.
Na verdade, se bem que a verdade também não existe, a gente não vive. A gente só faz parte da natureza. Nada aquém, nada além. Nada acima ou abaixo.
Observe a sua volta e veja se a natureza se importa com os mortos e com desabrigados pelas enchentes. Não há atitude solidária da natureza, nos terremotos nem nos furacões.
Nada.
A natureza é natural, sem overdubs e sem efeitos especiais. O resto todo é a gente que inventa. E inventa, na tentativa de amenizar a própria impotência diante da finitude.
Harrison escreveu que "todas as coisas têm que passar". Não têm: passam.
Não há como segurar a água do rio, não há como calar ou sufocar a voz da nossa consciência. Intimamente, somos ar, água, fogo e terra.
O consciente é um penetra nessa festa bizarra; um clandestino no navio do destino; um agente terrorista infiltrado no avião.
Não. Não importa o que você prometa à meia-noite do dia trinta e um. Não importa nem que você cumpra as promessas que faz. Tanto faz. Nada vai mudar o curso natural da vida.
Os dias continuarão, chuvosos ou ensolarados, a apresentar o mesmo repertório de sempre, com suas guerras e seus de avanços científicos; nos seduzindo com sensações de alegria e nos desestimulando com aborrecimentos. Surpresas e desilusões; desejos e frustrações; vontades e esquecimentos são coisas nossas. E só nossas. Cabe a nós cuidar deles, para que não se tornem nossos mitos, ou pior, nossos padres, bispos, guias e gurus.
Não há nenhum Deus Pai para administrar o seu condomínio interior. Ele não liga a mínima para o que está acontecendo com você, simplesmente porque Ele lhe deu um cérebro, um corpo e você caiu na cilada.
Ao ter sido dotado de um lobo frontal e equipado com o polegar opositor, passam a ser suas as escolhas e igualmente suas as responsabilidades.
O livre arbítrio, embora a mim me pareça outra grande bobagem criada pelo homem, nos dá a falsa e esquisofrênica sensação de poder, nos tornando, por vezes, egocêntricos, egoístas ou pior, ególatras.
No final da brincadeira, somos vítimas dos nossos próprios pseudos poderes. E perdemos a noção do nada que nos cerca.
Eu, por mim e por tudo isso, com todo o respeito que me merecem, o meu querido filho e os meus queridos amigos Christina, Cássia, Beni, PV, Cesar, Amaury e tantos outros, na boa, preferia ter passado o Natal e o Reveillon na minha casa, no alto da serra de Petrópolis, debaixo daquela chuva toda, ora recebendo uma visita mais íntima ora me despedindo dela para retomar o sossego que lutei tanto para conseguir.
Sei lá. Dizem que o diabo não é o diabo porque é mal e sim porque é velho. E eu, sinceramente, acho que a gente não faz cinquenta e sete anos à toa. É muita bagagem, digo, bobagem, que, se jogada, entala e não desce pela lixeira do prédio. São muitos sacos e sacos contendo lembranças vagas de memórias apagadas, que não se biodegradam nos esgotos do inconsciente coletivo. E esse é o maior problema. O que já não nos presta mais, acaba antenando alguém que ainda não viveu aquilo e aí, babou: nada melhora, porque é a própria alegoria do cachorro correndo atrás do rabo.
Eu, deprimido?
Nada. Eu tô ótimo. Se melhorar estraga.
Não nego que ainda meio em choque por causa de um erro de português que cometi no trabalho, na última semana do ano e que, graças ao Google, eu mesmo consegui reverter. Mas tô muito bem sim, embora consciente de que não tenho corpo nem saúde pra viver tanto quanto um Roberto Marinho ou um Niemeyer e de que o futuro já é bem menor, em fração, do que o passado.
Mas isso, cá pra nós, tirando o que vou perder de tecnologia na web, não é tão ruim assim.
Andei remexendo caixas e armários em Petrópolis. Encontrei relíquias imprestáveis e fui jogando tudo fora. Com elas, com certeza, parte do meu passado emocional - ou terá sido o sentimental? - foi-se.
Pilhas de folhas papel rabiscadas com trechos de poesias medíocres inacabadas, escritas para mulheres, provavelmente, burras; bilhetinhos graciosos, que acompanharam cestas eróticas de cafés da manhã; cartões sedutores dos dias dos namorados, de namoradas já defuntas; algumas calcinhas (in)decentes esquecidas propositalmente no fundo do armário; uns belos baby-dolls rendados e outras coisas do gênero.
Mas, confesso que nem tudo foi pro lixo. Guardei uma outra parte de tudo isso. Não na memória, mas em outras caixinhas e personalizadas. É legal, por exemplo, rever o DVD, Up, do Peter Gabriel e saber quem me deu. Ou, deixar rolar com outra pessoa um par de dados eróticos, sem o menor peso na consciência ou, ainda, rever algumas fotos, por questões estéticas e de gratidão.
Não posso me queixar. E olha que passei o pão que o diabo amassou, ao longo destes dez últimos anos. Mas, na boa, minha vida, até aqui, foi vivida, eu diria, no meio de um caos delicioso de sexo, sem drogas, com muito rock'n'roll. Chega a ser engraçado olhar para a adega improvisada no velho carrinho de chá, herdado do meu pai, e ver que permanecem lá, intactas, dezenas de garrafas de vinhos importados, caros, de safras especiais, quando eu simplesmente não bebo, a não ser Coca Zero.
Quanta bobagem. O que o macho não faz para seduzir a fêmea, não é mesmo?
Outro dia desses, encontrei um lindíssimo par de scarpins grená, de saltos altíssimos e bicos finos, dentro de um saquinho de pano, griffado, daqueles típicos para se guardarem pares de scarpins grenás, de saltos altíssimos e finos. Número trinta e sete. Mas eu não jogo nem no bicho.
Solidão nada. Não estou sozinho. Jamais estou estou sozinho. Estou sempre comigo.
Acabaram-se, sim, as permanências, as hospedagens, por mais de dois dias e duas noites. O espaço, que antes era ocupado por mesinhas, estantes, porta-retratos e objetos de decoração, agora pertence ao estúdio. Uma bateria completa, montada, que está sempre pronta e ávida por um groove bacana. Em frente a ela, um teclado e, em cima dele, na parede, um violão. Na mesa, o PC, as torres com os milhares de CDs, LPs, Dats, fitas de rolo, VHSs, uma geladeira, o colchão de casal, uma geladeira novinha, internet, telefone... quero mais o que?
Aliás, o velho violão é o mesmo que me ajudou a compor tantas canções de amor, alegria e sofrimento pelas mulheres fatais que passaram pela minha vida e pisaram no meu chão. No chão do meu coração.
Não fiz uma lista formal de todas as namoradas que tive. Não usei Word nem uma folha de papel. Mas, foi legal ir voltando no tempo, relembrando uma a uma, tentando lembrar do que ficou e o que restou, depois do fim de cada mundo. Sim, porque, pra mim, cada relação que termina é um calendário maia que se encerra. Pra você, não?
Amizade, não vale. Sou craque em manter amizades com as minhas ex. Isso é normal e só não acontece com as que me decepcionaram pelo caráter. Desamar, descurtir, tudo bem. Mas falha de caráter, não rola.
Paradoxalmente, digo aliviado, que, apesar de tantas, sobrou nada.
Como dizem que sou radical, vá lá, uns três ou quatro por cento de tudo que se investiu, se a gente considerar que são mais ou menos quarenta anos de amor e sexo, discutindo as relações, é nada mesmo.
E, por falar em nada, que fique bem claro. Nada contra as moças, a maioria, hoje, já senhorinhas ou senhoronas. Muito pelo contrário. Foram todas, sem exceção, cada uma, a sua maneira, uma pessoa extraordinária. Umas, extraordinárias para o bem. Outras, para o mal. Mas tudo bem.
E, se há uma coisa da qual tenho a obrigação de me orgulhar é de jamais ter tido um relacionamento com uma mulher mais ou menos.
Isso é muito legal.
Hoje, quando ligo o Yamaha, suas oito caixas de som e começo a ouvir as canções e as poesias de Dylan, ao tocar a batera, com a Coca-Zera, aberta no chão, abro o enorme sorriso da liberdade e sei que não estou sozinho. O velho Dylan está na estrada, com a "Never Ending Tour". Estamos juntos. Long Life rock'n'Roll!
Claro que a vida não acabou. Claro que posso, amanhã ou depois, abrir portas e janelas para o amor, acreditando que será, mais uma vez, para sempre. Não estou abandonando a idéia. Pelo contrário, agora mesmo, não faltam telefonemas e posts para um fim de semana na serra, regado a um bom vinho, degustando um delicioso fondue.
É só virar a ficha em cima da mesa, do lado vermelho, onde se lê "Não, obrigado" para o lado verde: "Sim, por favor".
Escrevo, não releio, não reviso, mas rio muito. Com certeza, muitas das minhas leitoras devem estar odiando este texto, me chamando de velho decrepto, recalcado, machista, arrogante e pretencioso. Para provar que não é bem por aí, embora seja uma gimmick fantástico para gerar novo fluxo de tráfego no blog, hoje, com toda sinceridade, eu adoria se uma moça, em especial, estivesse disponível e me ligasse dizendo: "tô subindo", como fez tantas vezes.
Ia ser divertido, agradável. Haveria paz, harmonia, essas coisas legais que todo mundo gosta e todo casal quer. Mas, felizmente, pra ela, está ocupada, namorando, feliz com seu amor e eu lhe desejo, do fundo do meu coração, toda a felicidade do mundo.
Não se trata-se de uma mulher bacana, especial, como todas com as que eu tive o prazer de estar e conviver. Trata-se de uma mulher ímpar, espetacular, de caráter incomparável, de uma generosidade absurda e de uma lealdade, acima de qualquer parâmetro. Não vou citar-lhe o nome, em respeito ao companheiro dela. Mas, caso por aqui venha, ela saberá que é dela que estou falando.
Seria desrespeitoso, sem ser, ao menos, uma cantada.
Retomando o fio da meada e encerrando este post, o resumo da ópera é que não pude passar minhas festas só, no meu estúdio cafôfico, rodeado de música e tecnologia por todos os lados, como eu tanto queria.
Acabei descendo, aos quarenta e cinco do segundo tempo, do dia vinte e quatro. Vim, passei o Natal com o meu filho queridaço, com a mãe dele, minha ex-mulher, com meus ex-sogros e depois vim pra casa da Chris, que estava na casa dos pais dela.
O Reveillon foi na casa do Marcio, um velho amigo de muitos e muitos anos, na cara do Ocenano Atlântico, bem de frente pra África do Sul, ao lado de outros queridos e, de novo, com o Victor, com a mãe dele e com litros de coca-Zero.
Foi divertido. O convívio social é sempre interessante, quando o conteúdo a ser compartilhado é bom.
Agora, falando sério: não aguento mais essa imunda e encardida cidade maravilhosa. Vir aqui é como ir à Bahia. E olha, que eu nunca fui à Bahia.
Isso me lembra uma passagem que parece até praga. Quando mais novo, eu costumava dizer que ia me casar, assim que voltasse do México. E sempre me perguntavam, quando eu iria ao México. Eu sorria e dizia: jamais.
Acabei indo, por circunstância, meio contra a vontade, mas fui. E não é que acabei casando?
sábado, 31 de dezembro de 2011
NÃO SEI PORQUE E NÃO ME INTERESSA.
De repente, me lembrei deste blog. Abandonado, desatualizado, meio encardido até. Olhei pra ele, me bateu um sentimento diferente. Nada de culpa, pena, solidariedade. Não. Longe disso. Talvez eu tenha me visto um pouco nele. Não sei.
O tempo passa e mais um ano se encaminha pro brejo. A vaca já foi. Eu tô aqui, de longe, só olhando, talvez meio sem graça, pelo que deixei que acontecesse com ele, que, por tantas e tantas vezes, foi meu confidente público número um; meu conselheiro genérico número dois; meu alter ego coletivo, sem número.
Está resolvido então. Em 2012 repego o blog. Já dei uma reformada, tirei a poeira e quem sabe, nos próximos dias já recomeço a postar novos textos? Vai ser legal ver o que mudou em mim, o quanto mudei eu e o que mudaram, em mim, as pessoas que comigo viveram, o mundo no qual viv, as coisas que me cercaram e me desconcertaram.
Dando um flash no back, 2011 foi um ano legal. Ano de trabalho, de canseira, ralação, mas foi um ano de resultados práticos bastante efetivos. Ganhei e perdi, como sempre. Sobre as perdas, aliás, sobre uma, em especial, não quis escrever. E não vou escrever.
Foi uma atitude deliberada. Achei que poderia soar de um jeito meio panfletário e não era o meu objetivo. Além do mais, nada que eu escrevesse iria expressar minimamente a dor que senti.
No entanto, como dizem os versos que escrevi e que ele musicou tão bem: "O luto em movimento, o vento, a chuva, a vidraça, lágrima, dor, sofrimento, com o tempo, tudo passa".
Bola pra frente.
Sinceramente, não sei se alguém ainda vem aqui. A Marcia me disse que vinha, mas agora, como está namorando firme e feliz da vida, muito provavelmente, não mais.
Ainda assim, a ela, que tanto curtiu, leu, releu, inspirou e incentivou este Ferro de Blog Blog, em boa parte, vou dedicar minha volta. Mais do que a ela, talvez, à sua felicidade.
Se há alguém que merece o meu apreço, o meu carinho, o meu respeito e a minha solidariedade, em qualquer hora e em todo lugar, esta pessoa se chama Marcia Gonçalves.
Assim, disposto a tocar o bonde, desejo a todos que me lerem, um Feliz 2012!
Vamos juntos?
segunda-feira, 7 de março de 2011
OLHA A MANGUEIRA AÍ, GENTE!
Desfilar pela Mangueira é algo muito maior do que o carnaval; do que o carnaval multiplexado pela HBO; ou do que qualquer teoria quântica, que beire, além do inusitado, o sobrenatural.
Desfilar pela Mangueira envolve vidas passadas, outras vidas, vidas presentes no presente, e quiçá - não confundir com cuíca - vidas ausentes no futuro.
Desfilar pela Mangueira é como jogar pelo Flamengo e ter o privilégio de - mesmo sendo o cara mais honesto, ético e escrupuloso do mundo - fazer um gol, com a mão, aos 56' do segundo tempo e vencer um hexacampeonato nacional, em cima da Seleção Brasileira ou da Seleção do Arco-Iris.
Desfilar pela Mangueira é comprovar o que todo mundo já sabe, mas reluta em acreditar: que o melhor sempre vence, mesmo que não vença.
Enfim, eu não desfilei pela Mangueira nesse ano, nem no ano passado, nem em 2009, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... mas sou Flamengo, Mangueira e São Jorge,
E.... "Olha a Mangueira aí, gente!"
Por falar em "Olha a Mangueira aí, gente!", esse grito de paz e amor - que também atende pelo nome de Grito de Guerra - lembra-me muito a história do bêbado, que estava, abrigado da chuva fina, embaixo de uma marquize, quietinho, encostado na pilastra que segurava o sobrado de 3 andares, na mais esburacada e velha rua de uma daquelas 369 cidades históricas das Minas Gerais, vendo a procissão de Nossa Senhora De Um Lugar Desses, da Europa, provavelmente em Portugal, passar, com suas alas de fiéis.
Do nada, em meio a cantoria, o bêbado largou o grito: "Olha a Mangueira aí, gente!".
Os olhares, com o ódio apostólico da Inquisição, se voltaram contra ele, enquanto a imagem da santa se espatifava no chão, depois de chocar-se violentamente contra a galhada de uma frondosa mangueira.
Eu avisei...
domingo, 6 de março de 2011
A VIDA REAL ESCONDIDA POR TRÁS DAS REDES SOCIAIS (UM POST PARA CÁSSIA)
Cássia, querida
A vida é como uma "farsa" de Ben Johnson. Viver é uma experiência biunívoca, onde o princípio e o fim partem, ao mesmo tempo, de cada extremo, para se encontrar no meio, no centro da vida. Esse é o milagre mágico da exis...tência, porque não importa o tempo, não importa o quanto e como vivemos ou gastamos nossas vidas. Imagine-se, quanticamente, ou seja, simultaneamente, a bordo de dois trens: um partindo de São Paulo, em direção ao Rio e outro fazendo o percurso inverso.
Eles só irão se cruzar uma vez e o ponto exato é desconhecido. Um deles pode vir mais devagar, o outro pode enguiçar, mas desde que cumpram seus destinos irão se cruzar em algum ponto da estrada de ferro.
A mim me parece, portanto, que a única mágica da existência humana consiste na ilusão do tempo, ou seja, na esperança de que o destino é o alvo, quando não é. O nosso verdadeiro destino se configura quando o eu que vai do começo pro fim, finalmente encontra o eu que vem de lá.
Por isso, redes sociais, casamentos, complexidade, cultura, religião, fé, crenças e tradições familiares, nada é capaz de impedir esse momento, este ritual de passagem. Eu o chamo de "Morte em Vida", Khrishnamurti o chamou de "Grande Nostalgia". É o momento exato em que o ego toma a porrada fatal da realidade que vem da morte. E a ilusão de poder se esvai e se dissolve na paisagem que passa apressada pela janela.
Não, não estou alucinado. Apenas estou brincando de DESMISTIFICAÇÃO. As pessoas - não todas, claro, mas 99% delas - a bordo de suas REDES SOCIAIS, internéticas ou não, parecem flutuar num tapete mágico, desembestado, sem leme e sem freio. A glamourização do OBA, OBA, das fotos manipuladas, dos vídeos que são veiculados com a incrível de missão de fazer parecer que são todos os f... do bairro pixoto; das frases feitas, daquela sensação de que está tudo sempre indo muito bem criaram um universo paralelo de ficção nada científica, mas psicológica.
Ao contrário do que possa parecer, não tenho nada contra as redes sociais, os casamentos, Deus, as religiões ou o amor eterno. Apenas, a minha opinião pode ir de encontro a tudo isso e nem faço qualquer alusão a você quando a emito.
A bem da verdade, tivemos mesmo uma conversa onde você se queixou de mim, disse montes a meu respeito, inclusive que não posto nada na sua página. E eu disse exatamente o porque de não postar. E o motivo é este: eu manipulo as redes sociais, jamais as pessoas. Tenho o maior respeito por cada uma delas; o maior carinho, por todas, indistintamente, reencontrei, como acontece sempre, pessoas queridas que não via há 20, 30, 40 anos. Mas isso não significa que os canalhas não envelhecem. Nem que os bandidos não possam ter suas páginas aqui e ali.
Curtir, brincar disso, dar ludicidade ao tema, sim. Mas concordar com a bobagem de que a minha presença aqui tem qualquer significado importante para o que sentimos um pelo outro - como você mesma disse, uma velha amizade - jamais.
Então vim, porque senti que você gostaria que eu viesse. Mas vim trazendo quem sou, de verdade, e não o personagem politicamente correto, pelo qual as pessoas vão sorrir e aplaudir. Não venho aqui para agradar, mas para escarnar e tornar explícita a principal finalidade - no meu entendimento - para essas ferramentas engraçadas: mostrar o que a gente é, de verdade, sem querer parecer o genrinho que toda mamãe pediu a Deus. Se bem que, com 56 anos de idade isso não fica nem estético, né não?
Queira-me bem ou queira-me mal, mas o fato é que você não me levou a FNAC pra comprar as caixas de som que eu precisava tanto. Sniff, sniff, sniff...
A vida é como uma "farsa" de Ben Johnson. Viver é uma experiência biunívoca, onde o princípio e o fim partem, ao mesmo tempo, de cada extremo, para se encontrar no meio, no centro da vida. Esse é o milagre mágico da exis...tência, porque não importa o tempo, não importa o quanto e como vivemos ou gastamos nossas vidas. Imagine-se, quanticamente, ou seja, simultaneamente, a bordo de dois trens: um partindo de São Paulo, em direção ao Rio e outro fazendo o percurso inverso.
Eles só irão se cruzar uma vez e o ponto exato é desconhecido. Um deles pode vir mais devagar, o outro pode enguiçar, mas desde que cumpram seus destinos irão se cruzar em algum ponto da estrada de ferro.
A mim me parece, portanto, que a única mágica da existência humana consiste na ilusão do tempo, ou seja, na esperança de que o destino é o alvo, quando não é. O nosso verdadeiro destino se configura quando o eu que vai do começo pro fim, finalmente encontra o eu que vem de lá.
Por isso, redes sociais, casamentos, complexidade, cultura, religião, fé, crenças e tradições familiares, nada é capaz de impedir esse momento, este ritual de passagem. Eu o chamo de "Morte em Vida", Khrishnamurti o chamou de "Grande Nostalgia". É o momento exato em que o ego toma a porrada fatal da realidade que vem da morte. E a ilusão de poder se esvai e se dissolve na paisagem que passa apressada pela janela.
Não, não estou alucinado. Apenas estou brincando de DESMISTIFICAÇÃO. As pessoas - não todas, claro, mas 99% delas - a bordo de suas REDES SOCIAIS, internéticas ou não, parecem flutuar num tapete mágico, desembestado, sem leme e sem freio. A glamourização do OBA, OBA, das fotos manipuladas, dos vídeos que são veiculados com a incrível de missão de fazer parecer que são todos os f... do bairro pixoto; das frases feitas, daquela sensação de que está tudo sempre indo muito bem criaram um universo paralelo de ficção nada científica, mas psicológica.
Ao contrário do que possa parecer, não tenho nada contra as redes sociais, os casamentos, Deus, as religiões ou o amor eterno. Apenas, a minha opinião pode ir de encontro a tudo isso e nem faço qualquer alusão a você quando a emito.
A bem da verdade, tivemos mesmo uma conversa onde você se queixou de mim, disse montes a meu respeito, inclusive que não posto nada na sua página. E eu disse exatamente o porque de não postar. E o motivo é este: eu manipulo as redes sociais, jamais as pessoas. Tenho o maior respeito por cada uma delas; o maior carinho, por todas, indistintamente, reencontrei, como acontece sempre, pessoas queridas que não via há 20, 30, 40 anos. Mas isso não significa que os canalhas não envelhecem. Nem que os bandidos não possam ter suas páginas aqui e ali.
Curtir, brincar disso, dar ludicidade ao tema, sim. Mas concordar com a bobagem de que a minha presença aqui tem qualquer significado importante para o que sentimos um pelo outro - como você mesma disse, uma velha amizade - jamais.
Então vim, porque senti que você gostaria que eu viesse. Mas vim trazendo quem sou, de verdade, e não o personagem politicamente correto, pelo qual as pessoas vão sorrir e aplaudir. Não venho aqui para agradar, mas para escarnar e tornar explícita a principal finalidade - no meu entendimento - para essas ferramentas engraçadas: mostrar o que a gente é, de verdade, sem querer parecer o genrinho que toda mamãe pediu a Deus. Se bem que, com 56 anos de idade isso não fica nem estético, né não?
Queira-me bem ou queira-me mal, mas o fato é que você não me levou a FNAC pra comprar as caixas de som que eu precisava tanto. Sniff, sniff, sniff...
domingo, 23 de janeiro de 2011
MINHAS PECHAS E MEUS APODOS
De certas pechas eu fujo, como o diabo da cruz. De outros apodos, não. Não me importo. Ao contrário, fazem parte da minha personalidade, talvez nem da personalidade, mas do estilo que cunhei em mim para encarar a vida.
Umas delas é a que afirma que eu julgo pessoas, situações, circunstâncias, tudo enfim. E é verdade. Eu julgo mesmo. Conheço uma mulher que quando se sente observada, em tom quase desesperado diz: " Está me medindo? Não me meça não!"
As mulheres, principalmente as mulheres, odeiam ser julgadas, medidas, mesmo que o julgamento seja completamente inconseqüente e pessoal. Talvez seja uma forma de defesa. Talvez sintam-se invadidas ou mal-interpretadas, como se todos nós, o tempo todo, inclusive elas, não nos julgássemos uns aos outros.
Mas esta história não passa pelas mulheres que conheço. Passa por um amigo, aliás, por dois amigos e por um comentário. Comentário esse, aliás, que considero altamente elogioso, mesmo que tenha sido feito em tom de queixume.
Não é inédito nem moderno. Desde sempre tenho colecionado sentenças condenatórias sem reclamar.
Insuportável, polêmico, insubordinado, arrogante, petulante, transgressor, imodesto, convencido, cínico, irônico, debochado, sarcástico, "se acha", "pensa que é o tal" e por aí vai... eu me divirto. Muito, por sinal.
Sei que sou nada disso e sei mais, que na maioria das vezes em que essas coisas foram apregoadas contra mim, eu simplesmente fui pro-ativo, decidido, talvez corajoso, sei lá, mas sei que fui isso diante de alguém que não foi.
Meu herói, no campo da oratória, sempre foi - e acho que sempre será - Carlos Frederico Werneck de Lacerda. O Carlos Lacerda. Sim, o reacionário, o udenista, o cara que deflagrou a Revolução de 64 e a ditadura militar, no Brasil.
Não, não, eu não sou e nem penso como ele. Eu simplesmente admiro e invoco para dentro de mim, a inspiração que iluminava o seu dom da oratória.
Lacerda foi um gênio da palavra falada. Aliás, da escrita também. Minha mãe, outra referência minha em cultura e conhecimento sobre língua portuguesa, principalmente, mas não só, teve o privilégio de trabalhar na Assembléia Legislativa do Estado da Guanabara, como Chefe do Setor De Debates, diretamente com o Senhor Carlos Lacerda, em algumas das legislaturas em que ele fora parlamentar, sem deixar, no entanto, de exercer a profissão de jornalista.
Minha mãe, a fantástica Dona Air, me contava as histórias do cara que fez, dentre outras coisas, o Túnel Rebouças, aliás, os quatro túneis; o Aterro do Flamengo; a UERJ, onde antes era a Favela do Esqueleto; e a estação de tratamento de águas, do Guandu.
Segundo ela, ele passava pelo setor dos Debates - onde se revisam os discursos, antes de enviá-los para a Ata e posterior publicação no Diário Oficial - pedia para olhar seus pronunciamentos, em busca, só podia ser, de erros da taquigrafia, claro, e, quase sempre, os devolvia intactos.
Lacerda não errava ao discursar.
Certo dia, recém-saído do plenário, após fala inflamada e polêmica - como sempre - entrou no Setor dos Debates, cumprimentou atenciosamente minha mãe, pediu um cafezinho e uma máquina de escrever disponível. Tinha, aguardando ansiosamente, um menino atento, ao seu lado, que aparentava ser um office-boy.
Ele sentou-se, ajustou a folha de papel, tabulou a velha e pesada Olivetti, de acordo com os parâmetros do Jornal - que, se não me falha a memória, era a Tribuna da Imprensa - e começou a metralhar a folha impiedosamente.
Menos de cinco minutos depois, ele deu o tradicional puxão por cima do rolo e arrancou o papel. Nem olhou para o texto, entregou-o ao menino e disse: "Leva lá, vai correndo e diga que não precisa de revisão".
Lacerda era assim. Crescia na polêmica, adorava o embate, a provocação, o desafio. Preferia o lado do mais fraco para defendê-lo ou o lado desarrazoado, para torcer os fatos diante de todos e deles receber aplusos. Calorosos aplausos. Passou, radicalmente, do comunismo à extrema direita. Carlos Lacerda não era bom nem mau. Era Carlos Lacerda: único e sem peça de reposição.
Pois eu fui taxado de "Genial, mas incontrolável!!!"
Coitadinho de mim. Eu, genial?
Já disse um milhão de vezes que genial foi o Doutor Sabin, a Madre Teresa de Calcutá e, quem sabe, Carlos Lacerda. Eu sou medíocre, médio, mediano, não sou um outlier. Mas, incontrolável, sim. Sou incontrolável.
Mas, sou incontrolável porque quero. Não porque não consiga me controlar. Há que se entender o limitie entre o dolo e a culpa aí: eu sou dolosamente incontrolável. Mas não sou incontrolável por imperícia, imprudência ou negligência. Jamais.
Simplesmente, eu me posiciono e assumo todas as conseqüências dos meu atos. Faço minhas escolhas e isso deixa algumas pessoas meio sem ação. Mas é normal.
O Beni, a Christina, por exemplo, vêm pro embate comigo, não baixam a bola, a guarda nem a cabeça. Não há um vencedor pré-definido, ganha-se e perde-se, mas no final, sempre, todos saímos ganhando. Sempre. Porque viver é uma guerra. E a estratégia é parte importante no jogo do poder.
Mesmo que o poder seja apenas um capricho e não uma ambição.
Tequila evaporada! Sem chuva, por favor!
Umas delas é a que afirma que eu julgo pessoas, situações, circunstâncias, tudo enfim. E é verdade. Eu julgo mesmo. Conheço uma mulher que quando se sente observada, em tom quase desesperado diz: " Está me medindo? Não me meça não!"
As mulheres, principalmente as mulheres, odeiam ser julgadas, medidas, mesmo que o julgamento seja completamente inconseqüente e pessoal. Talvez seja uma forma de defesa. Talvez sintam-se invadidas ou mal-interpretadas, como se todos nós, o tempo todo, inclusive elas, não nos julgássemos uns aos outros.
Mas esta história não passa pelas mulheres que conheço. Passa por um amigo, aliás, por dois amigos e por um comentário. Comentário esse, aliás, que considero altamente elogioso, mesmo que tenha sido feito em tom de queixume.
Não é inédito nem moderno. Desde sempre tenho colecionado sentenças condenatórias sem reclamar.
Insuportável, polêmico, insubordinado, arrogante, petulante, transgressor, imodesto, convencido, cínico, irônico, debochado, sarcástico, "se acha", "pensa que é o tal" e por aí vai... eu me divirto. Muito, por sinal.
Sei que sou nada disso e sei mais, que na maioria das vezes em que essas coisas foram apregoadas contra mim, eu simplesmente fui pro-ativo, decidido, talvez corajoso, sei lá, mas sei que fui isso diante de alguém que não foi.
Meu herói, no campo da oratória, sempre foi - e acho que sempre será - Carlos Frederico Werneck de Lacerda. O Carlos Lacerda. Sim, o reacionário, o udenista, o cara que deflagrou a Revolução de 64 e a ditadura militar, no Brasil.
Não, não, eu não sou e nem penso como ele. Eu simplesmente admiro e invoco para dentro de mim, a inspiração que iluminava o seu dom da oratória.
Lacerda foi um gênio da palavra falada. Aliás, da escrita também. Minha mãe, outra referência minha em cultura e conhecimento sobre língua portuguesa, principalmente, mas não só, teve o privilégio de trabalhar na Assembléia Legislativa do Estado da Guanabara, como Chefe do Setor De Debates, diretamente com o Senhor Carlos Lacerda, em algumas das legislaturas em que ele fora parlamentar, sem deixar, no entanto, de exercer a profissão de jornalista.
Minha mãe, a fantástica Dona Air, me contava as histórias do cara que fez, dentre outras coisas, o Túnel Rebouças, aliás, os quatro túneis; o Aterro do Flamengo; a UERJ, onde antes era a Favela do Esqueleto; e a estação de tratamento de águas, do Guandu.
Segundo ela, ele passava pelo setor dos Debates - onde se revisam os discursos, antes de enviá-los para a Ata e posterior publicação no Diário Oficial - pedia para olhar seus pronunciamentos, em busca, só podia ser, de erros da taquigrafia, claro, e, quase sempre, os devolvia intactos.
Lacerda não errava ao discursar.
Certo dia, recém-saído do plenário, após fala inflamada e polêmica - como sempre - entrou no Setor dos Debates, cumprimentou atenciosamente minha mãe, pediu um cafezinho e uma máquina de escrever disponível. Tinha, aguardando ansiosamente, um menino atento, ao seu lado, que aparentava ser um office-boy.
Ele sentou-se, ajustou a folha de papel, tabulou a velha e pesada Olivetti, de acordo com os parâmetros do Jornal - que, se não me falha a memória, era a Tribuna da Imprensa - e começou a metralhar a folha impiedosamente.
Menos de cinco minutos depois, ele deu o tradicional puxão por cima do rolo e arrancou o papel. Nem olhou para o texto, entregou-o ao menino e disse: "Leva lá, vai correndo e diga que não precisa de revisão".
Lacerda era assim. Crescia na polêmica, adorava o embate, a provocação, o desafio. Preferia o lado do mais fraco para defendê-lo ou o lado desarrazoado, para torcer os fatos diante de todos e deles receber aplusos. Calorosos aplausos. Passou, radicalmente, do comunismo à extrema direita. Carlos Lacerda não era bom nem mau. Era Carlos Lacerda: único e sem peça de reposição.
Pois eu fui taxado de "Genial, mas incontrolável!!!"
Coitadinho de mim. Eu, genial?
Já disse um milhão de vezes que genial foi o Doutor Sabin, a Madre Teresa de Calcutá e, quem sabe, Carlos Lacerda. Eu sou medíocre, médio, mediano, não sou um outlier. Mas, incontrolável, sim. Sou incontrolável.
Mas, sou incontrolável porque quero. Não porque não consiga me controlar. Há que se entender o limitie entre o dolo e a culpa aí: eu sou dolosamente incontrolável. Mas não sou incontrolável por imperícia, imprudência ou negligência. Jamais.
Simplesmente, eu me posiciono e assumo todas as conseqüências dos meu atos. Faço minhas escolhas e isso deixa algumas pessoas meio sem ação. Mas é normal.
O Beni, a Christina, por exemplo, vêm pro embate comigo, não baixam a bola, a guarda nem a cabeça. Não há um vencedor pré-definido, ganha-se e perde-se, mas no final, sempre, todos saímos ganhando. Sempre. Porque viver é uma guerra. E a estratégia é parte importante no jogo do poder.
Mesmo que o poder seja apenas um capricho e não uma ambição.
Tequila evaporada! Sem chuva, por favor!
"HOW TO SING THE BLUES"
Digamos assim: metade deste texto é meu e a outra metade não. Lá se vão uns vinte anos, por baixo, e deparou-se-me este interessante punhado de palavras a descrever, com as sutilezas de um punk e com o humor de um xiita, "Como cantar Blues".
"How to sing the Blues" é um original de língua inglesa carregado com o sotaque do Sul. No meu mais recente programa - Radionor (Tum Tum Tum) decidi fincar minhas patas nas raízes do Blues e parti em busca deste velho texto. Não diriia que o traduzi, mas posso dizer, sem susto, que o adaptei, não para a língua portuguesa do Brasil, mas para a percepção do que significa ser um "Bluesman".
Quem sabe, depois desta bem-humorada leitura, músicos, cantores e artistas em geral, que, volta e meia, se auto-denominam "Bluesmen", se ligam e param com essa palhaçada?
Há que se entender, antes da leitura, no entanto, que o Blues não é um ritmo, um estilo nem um gênero musical. O Blues é simplesmente a raiz, a origem da música norte-americana. Trazido pelos escravos africanos vindos da África setentrional, mais especificamente, do Mali, desembarcado no Delta do Rio Yazoo (e não do Mississippi, como dizem), o Blues era a mais sofrida expressão de dor e sentimento de um povo escravizado e impedido, até mesmo, de usar seus dialetos como forma de comunicação.
Baseado no tempo que levavam os escravos para dar uma volta completa na roda do engenho, ou seja, 12 compassos da escala pentatônica, o Blues nasceu dividido em 3 tempos, de 4 compassos cada um, sendo os primeiros 4 compassos dedicados à pergunta ou à lamentação, os 4 seguintes à reflexão e à resignação; e os 4 últimos, à resposta.
Os gemidos do Blues eram a manifestação da dor física e emocional de cada negro africano. Era, também, como o assovio, depois substituído pela gaita, uma forma de comunicação encontrada por eles e usada como código de identificação. Saber "quem vem lá", à distância, era mais que uma curiosidade. Era uma necessidade de sobrevivência. Assim nasceu o Blues. E, porque o Blues nasceu assim, cantar Blues ou ser um "Bluesman" não é para quem quer, mas pode ser para qualquer um: que saiba, que sinta, que chore, nas notas da guitarra ou da gaita; do violão ou da voz.
Ser um "Bluesman" não é um privilégio ou uma herança exclusiva dos negros. Eric Clapton, quando não desanda a fazer e gravar bobagens; Johnny Winter, George Thorogood, Keith Richards, Carlos Michelsen e Steve Ray* são (*ou foram) alguns bons exemplos de que é possível a um branco azedo, ou não, ser um "Bluesman" de verdade.
O Blues não é música. É manifestação.
Leiam:
A maioria dos Blues começa com "acordei esta manhã."
"Eu tenho uma boa mulher" é uma péssima maneira de se começar um Blues, a menos que você diga alguma coisa extremamente desagrável sobre ela, na linha seguinte: tipo, eu tinha uma boa mulher, mas ela me trocou pelo maior canalha da cidade.
Os Blues são sempre bem simples. Depois de escrever a primeira linha, repita-a, até encontrar algo que rime.
Mais ou menos assim:
"Tive uma boa mulher que me trocou por um canalha, tive uma boa mulher que me trocou por um canalha, vou beber até amanhecer e então vou passar-lhe a navalha...
Os Blues não permitem escolhas ilimitadas.
Os carros do Blues são os Chevettes desbotados, os Santanas cansados, os Mavericks caídos e as Kombis maltrapilhas. Outros transportes aceitos pelo Blues são os ônibus (Greyhound) ou os trens.
Ser um andarilho, maltrapilho, um sem teto, um nômade, em sua própria cidade é importante para ser um Bluesman de verdade. Ele só aparece bem vestido no caixão.
Adolescentes não podem cantar o Blues. Só adultos podem cantar o Blues. É preciso ser velho o bastante para ir resignadamente para a cadeira elétrica, depois de ter passado a navalha no canalha e na ex-boa mulher. Mas, no Brasil, não há cadeiras elétricas nem cidades capazes de honrar um Blueman. É preciso ir para Memphis.
Você pode cantar Blues na cidade de Nova York, mas não no Brooklyn nem no Queens. Afinal de contas, tempos difíceis em Vermont ou North Dakota são apenas uma fase de depressão. Chicago, St. Louis, Ann Arbor e Kansas City ainda são os melhores lugares para se ficar mal de verdade.
Agora uma lista: as seguintes cores não pertencem ao Blues: violeta, bege, malva ou flamingo.
Você não pode compor um Blues em um escritório ou em um shopping center, até porque, a iluminação estará errada. Os lugares certos para se compor os Blues são: a rodovia, a cadeia e a cama vazia.
Esqueça o terno. Ninguém vai acreditar que é um Bluesman se você usar um, a não ser que seja um Afro-Americano, já em idade avançada.
Saiba agora se você tem o direito de cantar Blues.
Se o seu primeiro nome for um estado como a Geórgia, se você é cego ou se atirou em um homem, em Memphis, você pode cantar Blues. Mas, lembre-se: você jamais poderá estar feliz e satisfeito por cantar Blues.
Agora, se você já foi cego, mas agora pode ver, se é surdo, tem um fundo de investimento qualquer ou contribui para a previdência, esqueça: você jamais poderá cantar Blues.
Por isso, Elvis Presley, Pat Boone, Frank Sinatra nem Roberto Carlos jamais puderam cantar Blues.
Surpreendentemente, Willie Nelson pode.
Se você pede água e o seu amor lhe dá gasolina é Blues. Aliás, as bebidas do Blues são: o vinho, o whiskey irlandês e a água barrenta. Qualquer bebida misturada, vinho branco, champagne... nada disso é Blues.
Se a morte acontece num motel barato, num barraco, com um tiro de espingarda, a morte é Blues. Apunhalado pelas costas, por um amante ciumento, também é uma forma Blues de morrer. Assim como são formas Blues de morrer, a cadeira elétrica, o abuso de substância ilícitas, ou o não atendimento na emergência de um hospital público.
Se você morre durante uma operação plástica, uma lipoaspiração, ou a aplicação de Botox, nada de Blues.
Alguns nomes Blues para as Mulheres: Sadie, Big Mama, Bessie, Bertha, Josephine, Lucille, Stella.
Alguns nomes Blues para homens Joe, Willie, Little Willie, Big Willie, Willie B. Lightning, Blackburn, Shotgun ou BB
Pessoas com nomes como Sierra, Sequoia, ou Skye jamais serão Bluesman, não importa em quantos homens tenham atirado. Comediantes e Malabaristas devem esquecer o Blues.
Se você cumpre todas as exigências e deseja se tornar um Bluesman, por favor siga atentamente o nosso Starter Kit ou kit para iniciantes. Escolha o seu nome montando: na frente, o nome de uma enfermidade ou deficiência física, como cego, manco, asmático, maneta ou o nome de uma fruta: pode ser limão, lima, kiwi... adicione o sobrenome de um presidente da república... lá, eles adoram Jefferson, Johnson, Fillmore...
A única maneirqa de se comunicar à distância através do Blues é pelo telefone convencional. Blackberrys e iPhones não são aceitos sob nenhuma condição.
Bluesmen comem churrasco, grãos, pão de milho, feijão. Seus instrumentos são a guitarra, o Trombone de vara, o saxofone, a gaita, o contrabaixo de cordas, o piano e a bateria.
Nada de oboé, trompa, e viola, se você não quer morrer numa emboscada.
Você é um Bluesman (seja você homem ou mulher) se você tem lombalgia ou dor nas costas. Mas, se você tem qualquer tipo de distúrbio mental ou algo que se defina por "síndrome", esqueça e procure um médico.
O jogo do bicho, as corridas de cavalos, o poker, o Black Jack são jogos do bom Blues. War, Imagem & Ação, Detetive e Master, não.
Empregos Blues incluem trabalhar na ferrovia e ser demitido; na lavoura e ser demitido; na fábrica e ser demitido; ou... ser músico e estar sempre demitido.
O Blues só tem um bicho de estimação: o cão vira-lata.
Booker White - Aberdeen Mississippi Blues
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
ENTÃO VAMOS BRINCAR DISSO
Olhando, atônito, a tela deste quadro desgraçado, na região serrana do Rio de Janeiro, reflito sobre o que é estar vivo. Ou melhor, sobre o que é não estar.
Já escrevi inúmeras vezes aqui que sou um cara que tem fé, que acredita, que faz tudo que faz com uma vontade de acertar, de certa forma, pelo que vejo por aí, até incomum. Não sou melhor nem pior do que você. Não sou mais esperto nem mais bobo. Sou o que sou: eu.
E porque não abro mão da minha individualidade, volta e meia me pego sozinho, tanto na plenitude da felicidade quanto na do desespero, sem saber o que fazer, por onde ir. Ir ou não ir? Sei lá.
Faz tempo que nem passava por aqui, pelo Blog. Acho que desde o post aí de baixo, que fala de Dona Marcia. Foi-se o namoro, selou-se, no entanto, uma amizade profunda, espessa, pragmática, sim, às vezes, mas jamais dogmática. A gente é colorido no sorriso e preto & branco nas conclusões. A gente se dá bem, melhor ainda, acho que por isso.
Rola uma enorme afinidade, misturada com a cumplicidade dos vira-latas com os bebuns da madrugada.
No entanto, nessa eu fiquei sozinho e acho que vou permanecer sozinho, distante, no escuro total da minha impotência humana, até achar, dentro de mim, é claro, uma resposta.
Não há Marcia, Carla, Sandra, Andréa, Christina, Cássia ou Virgínia que dê jeito nisso. O estado de choque é só meu. Sem ninguém pra contracenar, pra dividir um sentimento que já, de tão fragmentado, se tornou irrepartível, indivisível.
Já me acusaram - taxaram, sei lá - de ser um Humanista fora da época; de ser um Existencialista improvisado e outras coisas meio sem sentido, que de repente, agora, passam a fazer todo sentido dentro de mim.
Eu estou atônito, paralisado, imbecilizado.
Religiosamente falando, não sou nada, ou melhor, sou Flamengo. Quem me ler em posts mais antigos - ou bem mais antigos - vai me perceber assim e concordar, se não comigo, com a minha afirmação.
Mas eu sempre fecho com o "Bem". Sempre.
Posso ter - e tenho - alguns milhões de defeitos e, talvez, apenas uma qualidade. Mas essa qualidade, eu garanto, é ser um cara do "Bem". E me basta. Ou me bastou, até agora. Daqui pra frente, não sei.
Estou chocado.
Moro em Petrópolis a cerca de sete anos. Já vi chover canivete aberto. Recentemente o granizo e o vento explodiram o vidro da janela lá de casa. Molhou tudo. Foi uma encrenca. Mas, tudo bem. Normal. Nada demais. Não dá nem pra pedir ajuda Divina numa hora dessas, porque vidros foram feitos para quebrar.
Podem levar uma vida inteira e podem até não quebrar. Mas, assim como ultra-leves, asas-delta, besouros e helicópteros não foram feitos para voar, vidros foram feitos para quebrar. Por isso, nem ousei apertar o botão que aciona o pedido de socorro Divino.
Mas isso... caraca!!!... isso é brincadeira.
É como pedir a Deus que nos ajude a salvar o casamento falido; a manter o emprego inexoravelmente perdido; a conseguir a casa própria.
Deus não tem nada com isso.
Afinal de contas, se eu creio mesmo na existência onisciente, onipresente e onipotente de Deus, não posso crer que Ele vá interromper o que está fazendo de realmente importante, para evitar que o vidro da janela se parta ou para curar minha dor de cabeça abstecida pela péssima alimentação.
Se eu conseguisse pensar ou sentir assim, com certeza abriria mão de crer em Deus, porque Deus não seria confiável. Pelo menos eu acho isso.
Mas.................................
Meu Deus, por que? Porque não pegar aquele Seu 'dedo enorme'... é, aquele mesmo, de pedra, que fica lá no alto da serra e dar um peteleco na nuvem, mandando-a de volta para o Oceano Atlântico?
Tudo bem, tudo bem, Senhor, as pessoas que moram nos morros, nas encostas, nas proximidades das áreas de risco estão assumindo esse risco. Tudo bem, eu sei e até concordo. Mas idosos e crianças?
Qual é a regra? Tem regra? Tem regulamento?
Poxa, me ensina a brincar disso, vamos brincar disso. Me ensina como se joga esse jogo e eu prometo que fico lá, o tempo todo, atento, só pra não ter que ver, de novo, o que estou vendo. Nem passar pelo que estou passando.
Quem sabe, esse jogo eu aprenda, já que a lógica do jogo das guerras eu não consegui. Quem sabe, eu consigo aprender e aí, em vez de sofrer, me divirto?
Deus, na boa, sabe qual é a minha vontade? A minha vontade era me aparelhar como um Rambo e sair por aí, como um justiceiro, matando um por um desses canalhas, desses caras que permitem tudo em troca de voto.
Quem diria, né Senhor? Logo eu, um cara que se diz e "se acha" do "Bem".
Na moral, Deus, o que foi que houve? Cochilou? Dormiu? Desistiu da gente? Resolveu colocar em prática, de novo, aquele plano do Livro de Gênesis? É isso mesmo? 'Duela a quien duela'?
Eu estive lá, um ou dois dias antes do inferno. Não em Friburgo nem em Terê, que sofreram um estrago atomicamente maior. Eu estive em Petrópolis.
No dia do "juizo final", no entanto, por acaso, eu estava no Rio. E continuo por aqui.
Sei lá por que e nem pra que?
Faz sentido?
Será que faz algum sentido encarar o espelho e dizer-me para mim: "Graças a Deus, eu não estava lá"?
Como assim?
Já escrevi inúmeras vezes aqui que sou um cara que tem fé, que acredita, que faz tudo que faz com uma vontade de acertar, de certa forma, pelo que vejo por aí, até incomum. Não sou melhor nem pior do que você. Não sou mais esperto nem mais bobo. Sou o que sou: eu.E porque não abro mão da minha individualidade, volta e meia me pego sozinho, tanto na plenitude da felicidade quanto na do desespero, sem saber o que fazer, por onde ir. Ir ou não ir? Sei lá.
Faz tempo que nem passava por aqui, pelo Blog. Acho que desde o post aí de baixo, que fala de Dona Marcia. Foi-se o namoro, selou-se, no entanto, uma amizade profunda, espessa, pragmática, sim, às vezes, mas jamais dogmática. A gente é colorido no sorriso e preto & branco nas conclusões. A gente se dá bem, melhor ainda, acho que por isso.
Rola uma enorme afinidade, misturada com a cumplicidade dos vira-latas com os bebuns da madrugada.
No entanto, nessa eu fiquei sozinho e acho que vou permanecer sozinho, distante, no escuro total da minha impotência humana, até achar, dentro de mim, é claro, uma resposta.
Não há Marcia, Carla, Sandra, Andréa, Christina, Cássia ou Virgínia que dê jeito nisso. O estado de choque é só meu. Sem ninguém pra contracenar, pra dividir um sentimento que já, de tão fragmentado, se tornou irrepartível, indivisível.
Já me acusaram - taxaram, sei lá - de ser um Humanista fora da época; de ser um Existencialista improvisado e outras coisas meio sem sentido, que de repente, agora, passam a fazer todo sentido dentro de mim.
Eu estou atônito, paralisado, imbecilizado.
Religiosamente falando, não sou nada, ou melhor, sou Flamengo. Quem me ler em posts mais antigos - ou bem mais antigos - vai me perceber assim e concordar, se não comigo, com a minha afirmação.
Mas eu sempre fecho com o "Bem". Sempre.
Posso ter - e tenho - alguns milhões de defeitos e, talvez, apenas uma qualidade. Mas essa qualidade, eu garanto, é ser um cara do "Bem". E me basta. Ou me bastou, até agora. Daqui pra frente, não sei.
Estou chocado.
Moro em Petrópolis a cerca de sete anos. Já vi chover canivete aberto. Recentemente o granizo e o vento explodiram o vidro da janela lá de casa. Molhou tudo. Foi uma encrenca. Mas, tudo bem. Normal. Nada demais. Não dá nem pra pedir ajuda Divina numa hora dessas, porque vidros foram feitos para quebrar.
Podem levar uma vida inteira e podem até não quebrar. Mas, assim como ultra-leves, asas-delta, besouros e helicópteros não foram feitos para voar, vidros foram feitos para quebrar. Por isso, nem ousei apertar o botão que aciona o pedido de socorro Divino.
Mas isso... caraca!!!... isso é brincadeira.
É como pedir a Deus que nos ajude a salvar o casamento falido; a manter o emprego inexoravelmente perdido; a conseguir a casa própria.
Deus não tem nada com isso.
Afinal de contas, se eu creio mesmo na existência onisciente, onipresente e onipotente de Deus, não posso crer que Ele vá interromper o que está fazendo de realmente importante, para evitar que o vidro da janela se parta ou para curar minha dor de cabeça abstecida pela péssima alimentação.
Se eu conseguisse pensar ou sentir assim, com certeza abriria mão de crer em Deus, porque Deus não seria confiável. Pelo menos eu acho isso.
Mas.................................
Meu Deus, por que? Porque não pegar aquele Seu 'dedo enorme'... é, aquele mesmo, de pedra, que fica lá no alto da serra e dar um peteleco na nuvem, mandando-a de volta para o Oceano Atlântico?
Tudo bem, tudo bem, Senhor, as pessoas que moram nos morros, nas encostas, nas proximidades das áreas de risco estão assumindo esse risco. Tudo bem, eu sei e até concordo. Mas idosos e crianças?
Qual é a regra? Tem regra? Tem regulamento?
Poxa, me ensina a brincar disso, vamos brincar disso. Me ensina como se joga esse jogo e eu prometo que fico lá, o tempo todo, atento, só pra não ter que ver, de novo, o que estou vendo. Nem passar pelo que estou passando.
Quem sabe, esse jogo eu aprenda, já que a lógica do jogo das guerras eu não consegui. Quem sabe, eu consigo aprender e aí, em vez de sofrer, me divirto?
Deus, na boa, sabe qual é a minha vontade? A minha vontade era me aparelhar como um Rambo e sair por aí, como um justiceiro, matando um por um desses canalhas, desses caras que permitem tudo em troca de voto.
Quem diria, né Senhor? Logo eu, um cara que se diz e "se acha" do "Bem".
Na moral, Deus, o que foi que houve? Cochilou? Dormiu? Desistiu da gente? Resolveu colocar em prática, de novo, aquele plano do Livro de Gênesis? É isso mesmo? 'Duela a quien duela'?
Eu estive lá, um ou dois dias antes do inferno. Não em Friburgo nem em Terê, que sofreram um estrago atomicamente maior. Eu estive em Petrópolis.
No dia do "juizo final", no entanto, por acaso, eu estava no Rio. E continuo por aqui.
Sei lá por que e nem pra que?
Faz sentido?
Será que faz algum sentido encarar o espelho e dizer-me para mim: "Graças a Deus, eu não estava lá"?
Como assim?
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
ESSE SEU DEDO MELADO DE LICOR
À vez, sinto vontade de sentar-me aqui e sair escrevendo minúsculas bobagens. Mas não quaisquer bobagens. Só bobagens gostosas, como por exemplo, descrever, sem parcimônia, os ínfimos detalhes que se escondem por entre os momentos mais íntimos de uma relação prazerosa, que só os mais apaixonados amantes vivem, a dois.
Transformar em palavras as torções e retorções das línguas molhadas, durante o beijo, pode ser um trabalho árduo, a consumir laudas e mais laudas, toques e mais toques, suores e arrepios do próprio escritor. Isso, sem contar os minutos, quem sabe horas, sem trégua, de texto corrido e escorrido, babado e rasurado por uma mordiscada aqui, outra ali, no lábio inferior.
Dito assim, em resumo, parece fácil, mas não é. Ao contrário, é o tipo do texto que pode ir se complicando com o passar do beijo e, com certeza, há leitores na sala que não vêem nem acham a menor graça no assunto.
Comentei sobre o meu desejo, ainda hoje, a tarde, com uma moça que conheço. Ela me pareceu bastante impactada pelo tema, mas não economizou nos alertas. Disse-me ela que muita gente lê o meu blog e que tal assunto poderia não causar boa impressão.
A bem da verdade, escrever sobre o beijo é apenas um exemplo, não mais do que isso. Eu poderia discorrer sobre a solenidade de um momento único, como o de dois corpos nus, sentados de frente, um para o outro, a dividir uma posta de namorado com puré, arroz e legumes cozidos ao vapor. Claro que é uma bobagem, mas é sobre bobagens que eu queria escrever. Aliás, queria não, ainda quero. Mas não vou.
Só pra não parecer papo de garoto idiota que foi ao motel pela primeira vez com a namorada, o texto sobre os corpos nus jamais teria como foco os corpos, nus, mas a total ausência do desejo sexual, durante a refeição. Não parece interessante?
Então tá, não escrevo.
Mas eu ainda quero e um dia vou escrever umas bobagens desse tipo.
Por enquanto, preciso me disfarçar em desculpas para não fazê-lo, posto que há, segundo a moça, olhos outros, que me lêem às entrelinhas, sem perceber ou discernir que, quando escrevo bobagens, são elas, as entrelinhas, em carne e osso, que se encontram descritas ali.
Ok, não escrevo.
Mas, que fique claro que escrever sobre isso, não só não me sai da cabeça, como sei que vai me forçar a ficar rodando e rodando e rodando como um carrossel descacetado ou como uma metralhadora giratória, em busca de outra idéia que me encha o espaço mental.
Afinal de contas, nem sempre estou com vontade de escrever só sobre bobagens.
E, então, me pergunto a mim mesmo, o que fazer diante do desafio de sentir vontade e não ceder à tentação, se Lord Henry me disse que o único jeito de a gente resistir a uma é exatamente ceder a ela?
Quer mesmo saber?
Nada.
Por mais que eu desvie a cabeça do pensamento 'u', você insiste e me reaparece em visão 3D, enroscada como um rocambole, toda lambuzada com o creme de uma bomba da Chez Anne, sussurrando bobagens (deliciosas, como o creme das bombas da Chez Anne), nas minhas visões mais pepsicodélicas, em uma suíte transdimensional, versão 3.0.
Ora, meu Deus, será justo um ser do bem como eu ficar exposto ao sol da censura social, sem ter, ao menos, o direito de lançar mão dos truques e dos atalhos da vida, que me poderiam salvar deste cruel patrulhamento?
Que patrulhamento?
E vocês ainda perguntam?
Se não sabem, saibam que a pior de todas as formas de censura; a que nos acomete do mal inconsciente do peso na consciência; a que nos impõe o agir de forma "politicamente correta" é a tal da patrulha ideológica, ora bolinhas (como dizia a minha quase-prima maravilhosa e deliciosamente sensual).
Ser politicamente correto é como piscar o olho para a mulher alheia, mas sem permitir, jamais, que mais alguém veja, a não ser, é claro, a própria mulher, já nem tão mais alheia assim.
É roçar a perna na perna da mulher do próximo, sem que o próximo perceba nada e nem sinta os arrepios que sobem e devassam as bochechas enrubescidas da mulher já não tão próxima.
O politicamente correto é príncipe dos atos de cafagestagem. E, no entanto é o que mais se vê por aí.
Tudo que faço na vida, faço às claras, sem rodeios. Não roço minhas pernas em pernas alheias e sim nas pernas da minha mulher. Não pisco olho nem mando bilhetinhos, via garçom, para mulheres acompanhadas. Mas posso combinar com a minha doce companheira, de me retirar da mesa por breves instantes e pedir ao garçom, à distância, que lhe entregue o meu cartão junto com uma garrafa de champagne. Charme puro, de altíssimo nível.
Hoje vi um vídeo sobre o pálido ponto azul que somos no universo. Nós, não, a Terra, planetinha irrelevante esse, diante do todo. O filme me mostrou o quanto somos ainda mais ridículos quando nos odiamos, brigamos, batemos, apanhamos, matamos, invadimos, guerreamos, como se tivéssemos algum poder.
Não somos mais que nada. Nada mesmo. Absolutamente nada.
Resta-nos, por força da mais óbvia dedução, o viver a vida com amor, o namorar com prazer verdadeiro, o sexo e... o exercício legítimo de escrever bobagens.
Intimamente, sinto inveja dos escritores eróticos que, sem nenhum pudor, escrevem aqueles íntimos detalhes que transformam uma relação banal entre um homem e uma mulher em uma relação @#dona, entre um homem e uma mulher.
Eu queria ser, nesse momento, qualquer um deles - homem ou mulher - que experimenta a liberdade de escrever sobre todas as bobagens do amor, como Henry Miller, Mario Vargas Llosa, Mark Twain, Rei Salomão, Marquês de Sade, Marie Darrieussecq, Nathalie Gassel, Ovídio, Catulo, Sextus Propertius, Safo, Petrarca, Dante, Bai Juyi, John Wilmot, Vanessa Duriès, Nancy Sexta, Henry Spencer Ashbee, Catherine Millet, Georges Simenon, Nick Scipio, Nicolas Chorier, Patrick Califia, Pauline Réage, Penny Birch, Philippe Djian, Sombra Parker, VlaStephen Vizinczey, Susie Bright, Sylvia Dia, Tamara Thorne, Vladimir Nabokov, Wendy Swanscombe, William Levy, William Simpson Potter, Yasunari Kawabata, Yukio Mishima, Yoko Ogawa, Ivan Barkov, John Cleland, José Zorrilla y Moral, Laura Antoniou, Leopold von Sacher-Masoch, Zane, ]ilhana, Yashodhara, Kokkoka, Kalyanamalla, Praudha Devaraya, Ovídio, Ge Hong - Dinastia Jin, Muhammad ibn Muhammad al-Nafzawi, Al Steiner, Alexander Pushkin, Alexander Trocchi, Alina Reyes, Anaïs Nin, Ana Ferreira, Wilhelm Jensen, Ana Miranda, Anna França, Anne Rice, D. H. Lawrence, Emmanuelle Arsan, Erica Jong, Françoise Rey, Gaspare B. Amidei, George Moore, Georges Bataille, Giovanni Boccaccio ou Xaviera Hollander e sair rasgando, um por um, todos os manuais de boas maneiras, escancarando aos quatro cantos da Terra, que somos sedutores, sim, mas por instinto e por genética. Não por amoralidade ou imoralidade.
"Há vez em que me pego enquadrando o seu rosto no meio do nada,
em busca de não sei o que, só para fotografá-la como é,
assim, solta, sem qualquer fantasia, numa fantasia sem fim".
Se eu decidisse escrever o meu texto sobre bobagens, ele começaria assim.
Mas vou respeitar o público (Respeitável Público) que sobrevoa o meu Blog em busca de carne fresca. Não me importo, porque está tudo na bandeira.
"Está tudo nas entrelinhas das entrelinhas,
nas sombras do decote, nas curvas das suas costas.
Está tudo nos letreiros e nas vitrines,
nos pensamentos e nos desejos mais mundanos.
Está tudo aqui dentro, de mim e de nós,
o tempo todo, pronto para explodir
como uma bomba da Chez Anne
ou como um orgasmo de chocolate".
E, se você não faz questão do chocolate, tudo bem.
"Eu lambo esse creme
como se ele fosse o seu dedo,
melado de licor".
Transformar em palavras as torções e retorções das línguas molhadas, durante o beijo, pode ser um trabalho árduo, a consumir laudas e mais laudas, toques e mais toques, suores e arrepios do próprio escritor. Isso, sem contar os minutos, quem sabe horas, sem trégua, de texto corrido e escorrido, babado e rasurado por uma mordiscada aqui, outra ali, no lábio inferior.
Dito assim, em resumo, parece fácil, mas não é. Ao contrário, é o tipo do texto que pode ir se complicando com o passar do beijo e, com certeza, há leitores na sala que não vêem nem acham a menor graça no assunto.
Comentei sobre o meu desejo, ainda hoje, a tarde, com uma moça que conheço. Ela me pareceu bastante impactada pelo tema, mas não economizou nos alertas. Disse-me ela que muita gente lê o meu blog e que tal assunto poderia não causar boa impressão.
A bem da verdade, escrever sobre o beijo é apenas um exemplo, não mais do que isso. Eu poderia discorrer sobre a solenidade de um momento único, como o de dois corpos nus, sentados de frente, um para o outro, a dividir uma posta de namorado com puré, arroz e legumes cozidos ao vapor. Claro que é uma bobagem, mas é sobre bobagens que eu queria escrever. Aliás, queria não, ainda quero. Mas não vou.
Só pra não parecer papo de garoto idiota que foi ao motel pela primeira vez com a namorada, o texto sobre os corpos nus jamais teria como foco os corpos, nus, mas a total ausência do desejo sexual, durante a refeição. Não parece interessante?
Então tá, não escrevo.
Mas eu ainda quero e um dia vou escrever umas bobagens desse tipo.
Por enquanto, preciso me disfarçar em desculpas para não fazê-lo, posto que há, segundo a moça, olhos outros, que me lêem às entrelinhas, sem perceber ou discernir que, quando escrevo bobagens, são elas, as entrelinhas, em carne e osso, que se encontram descritas ali.
Ok, não escrevo.
Mas, que fique claro que escrever sobre isso, não só não me sai da cabeça, como sei que vai me forçar a ficar rodando e rodando e rodando como um carrossel descacetado ou como uma metralhadora giratória, em busca de outra idéia que me encha o espaço mental.
Afinal de contas, nem sempre estou com vontade de escrever só sobre bobagens.
E, então, me pergunto a mim mesmo, o que fazer diante do desafio de sentir vontade e não ceder à tentação, se Lord Henry me disse que o único jeito de a gente resistir a uma é exatamente ceder a ela?
Quer mesmo saber?
Nada.
Por mais que eu desvie a cabeça do pensamento 'u', você insiste e me reaparece em visão 3D, enroscada como um rocambole, toda lambuzada com o creme de uma bomba da Chez Anne, sussurrando bobagens (deliciosas, como o creme das bombas da Chez Anne), nas minhas visões mais pepsicodélicas, em uma suíte transdimensional, versão 3.0.
Ora, meu Deus, será justo um ser do bem como eu ficar exposto ao sol da censura social, sem ter, ao menos, o direito de lançar mão dos truques e dos atalhos da vida, que me poderiam salvar deste cruel patrulhamento?
Que patrulhamento?
E vocês ainda perguntam?
Se não sabem, saibam que a pior de todas as formas de censura; a que nos acomete do mal inconsciente do peso na consciência; a que nos impõe o agir de forma "politicamente correta" é a tal da patrulha ideológica, ora bolinhas (como dizia a minha quase-prima maravilhosa e deliciosamente sensual).
Ser politicamente correto é como piscar o olho para a mulher alheia, mas sem permitir, jamais, que mais alguém veja, a não ser, é claro, a própria mulher, já nem tão mais alheia assim.
É roçar a perna na perna da mulher do próximo, sem que o próximo perceba nada e nem sinta os arrepios que sobem e devassam as bochechas enrubescidas da mulher já não tão próxima.
O politicamente correto é príncipe dos atos de cafagestagem. E, no entanto é o que mais se vê por aí.
Tudo que faço na vida, faço às claras, sem rodeios. Não roço minhas pernas em pernas alheias e sim nas pernas da minha mulher. Não pisco olho nem mando bilhetinhos, via garçom, para mulheres acompanhadas. Mas posso combinar com a minha doce companheira, de me retirar da mesa por breves instantes e pedir ao garçom, à distância, que lhe entregue o meu cartão junto com uma garrafa de champagne. Charme puro, de altíssimo nível.
Hoje vi um vídeo sobre o pálido ponto azul que somos no universo. Nós, não, a Terra, planetinha irrelevante esse, diante do todo. O filme me mostrou o quanto somos ainda mais ridículos quando nos odiamos, brigamos, batemos, apanhamos, matamos, invadimos, guerreamos, como se tivéssemos algum poder.
Não somos mais que nada. Nada mesmo. Absolutamente nada.
Resta-nos, por força da mais óbvia dedução, o viver a vida com amor, o namorar com prazer verdadeiro, o sexo e... o exercício legítimo de escrever bobagens.
Intimamente, sinto inveja dos escritores eróticos que, sem nenhum pudor, escrevem aqueles íntimos detalhes que transformam uma relação banal entre um homem e uma mulher em uma relação @#dona, entre um homem e uma mulher.
Eu queria ser, nesse momento, qualquer um deles - homem ou mulher - que experimenta a liberdade de escrever sobre todas as bobagens do amor, como Henry Miller, Mario Vargas Llosa, Mark Twain, Rei Salomão, Marquês de Sade, Marie Darrieussecq, Nathalie Gassel, Ovídio, Catulo, Sextus Propertius, Safo, Petrarca, Dante, Bai Juyi, John Wilmot, Vanessa Duriès, Nancy Sexta, Henry Spencer Ashbee, Catherine Millet, Georges Simenon, Nick Scipio, Nicolas Chorier, Patrick Califia, Pauline Réage, Penny Birch, Philippe Djian, Sombra Parker, VlaStephen Vizinczey, Susie Bright, Sylvia Dia, Tamara Thorne, Vladimir Nabokov, Wendy Swanscombe, William Levy, William Simpson Potter, Yasunari Kawabata, Yukio Mishima, Yoko Ogawa, Ivan Barkov, John Cleland, José Zorrilla y Moral, Laura Antoniou, Leopold von Sacher-Masoch, Zane, ]ilhana, Yashodhara, Kokkoka, Kalyanamalla, Praudha Devaraya, Ovídio, Ge Hong - Dinastia Jin, Muhammad ibn Muhammad al-Nafzawi, Al Steiner, Alexander Pushkin, Alexander Trocchi, Alina Reyes, Anaïs Nin, Ana Ferreira, Wilhelm Jensen, Ana Miranda, Anna França, Anne Rice, D. H. Lawrence, Emmanuelle Arsan, Erica Jong, Françoise Rey, Gaspare B. Amidei, George Moore, Georges Bataille, Giovanni Boccaccio ou Xaviera Hollander e sair rasgando, um por um, todos os manuais de boas maneiras, escancarando aos quatro cantos da Terra, que somos sedutores, sim, mas por instinto e por genética. Não por amoralidade ou imoralidade.
"Há vez em que me pego enquadrando o seu rosto no meio do nada,
em busca de não sei o que, só para fotografá-la como é,
assim, solta, sem qualquer fantasia, numa fantasia sem fim".
Se eu decidisse escrever o meu texto sobre bobagens, ele começaria assim.
Mas vou respeitar o público (Respeitável Público) que sobrevoa o meu Blog em busca de carne fresca. Não me importo, porque está tudo na bandeira.
"Está tudo nas entrelinhas das entrelinhas,
nas sombras do decote, nas curvas das suas costas.
Está tudo nos letreiros e nas vitrines,
nos pensamentos e nos desejos mais mundanos.
Está tudo aqui dentro, de mim e de nós,
o tempo todo, pronto para explodir
como uma bomba da Chez Anne
ou como um orgasmo de chocolate".
E, se você não faz questão do chocolate, tudo bem.
"Eu lambo esse creme
como se ele fosse o seu dedo,
melado de licor".
It's Showtime, Folks!
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
EU TE AMO, MADAMA GONÇALVES
Eu te amo. Isso é tudo e é simples assim, como dizer "eu te amo" mesmo.
E eu não te amo, porque você é linda ou feiosa; porque é chique ou cafona; porque é rica ou pobre; Dilma ou Serra; Flamengo ou Vasco.
Eu te amo, porque você quis ser amada, se deixou ser amada, verdadeiramente amada. E porque - é óbvio -, o amor só acontece quando acontece e, assim mesmo, porque acontece.
Eu estava no cafofo, me aquecendo com a mais Absolute das vodkas, debaixo das cobertas, num frio de 4º, lá em cima, na serra, distante de tudo, de todos, do mundo, tentando encontrar a saída, e você aí, pronta, preparada, ávida para ser amada. Intensamente amada. E é por isso que eu te amo.
Você sabe o quanto eu tentei evitar, contei toda a verdade, não omiti uma vírgula, disse exatamente em que "fase do jogo" eu estava, mas você não deu a mínima. Com a suavidade das realmente poderosas, disse apenas que nada a faria mudar de idéia.
Quando me vi, de repente, em meio a tanta bagunça, fios espalhados, caixas de som por todo canto, um estúdio completamente em desalinho, olha só: eu já te amava.
Assim mesmo, de verdade, como quem tem toda certeza do mundo sobre o amor que sente pelo outro.
Mas, espera um pouquinho. Descrito assim nem parece que você teve um trabalhão, né?
A verdade é que a gente para pular do impossível ao possível, do improvável ao provável levou quase um mês. E foi você quem me provou que éramos possíveis ou viáveis ou tangíveis ou prováveis ou comíveis, sei lá.
Foi você quem cometeu a deliciosa imprudência de entrar na minha vida sem pedir licença e revirá-la pelo lado certo, quando tudo estava virado ao avesso.
Eu comecei dizendo a verdade e é tudo verdade mesmo, mas me ajuda, confessa, anda...você me seduziu e me cativou, subiu a serra e...
E... o mais bacana é que não houve jogo. Você até poderia usar, mas não usou o lendário poder de sedução das escorpianas. Muito menos lançou mão daquele jeito "mulherzinha" de ser, que as mulheres, quando querem, lançam. Ali você me ganhou. Ali eu vi que estava diante de uma mulher de verdade. Posso dizer que ali você me pegou à unha, na marra, com estilo, caráter, generosidade, dispensando os requisitos mais básicos que toda mulher comum exige.
Você me ganhou por ser incomum e por saber exatamente que o respeito é a essência da conquista.
É, Madama Gonçalves, a essa altura do campeonato, depois de tantos títulos perdidos e conquistados, tanto por um quanto pelo outro, só existiria mesmo um jeito de a gente chegar à final e dar a volta olímpica: com todo o respeito.
Hoje nos vemos como opostos suplementares. Desde os hábitos mais cotidianos ao jeito de viver a vida. Somos, reciprocamente, o alter ego, um do outro.E isso é uma delícia, porque eu queria ser eu..... do seu jeito. E você, você... do meu.
O amor é lindo, não é mesmo?
Acabamos de nos falar pelo MSN e senti que faltava dizer algo mais. Uma coisa que não coube e nem vai caber jamais naquela caixinha ridícula e que não se pode expressar através de emoticons imbecis.
Havia de ser uma coisa mais densa, mais forte, como um orgasmo, talvez.
Por isso, Madama, aqui estou, em pessoa, eu, a lhe dizer em repetidos control c + control v, que te amo.
Pode ser para sempre, se você quiser. Mas, se preferir, que seja só até nos virmos pela última vez.
Tudo bem. O importante é estar vivendo isso agora.
E sabe do que mais?
Eu te amo muito!
E eu não te amo, porque você é linda ou feiosa; porque é chique ou cafona; porque é rica ou pobre; Dilma ou Serra; Flamengo ou Vasco.
Eu te amo, porque você quis ser amada, se deixou ser amada, verdadeiramente amada. E porque - é óbvio -, o amor só acontece quando acontece e, assim mesmo, porque acontece.
Eu estava no cafofo, me aquecendo com a mais Absolute das vodkas, debaixo das cobertas, num frio de 4º, lá em cima, na serra, distante de tudo, de todos, do mundo, tentando encontrar a saída, e você aí, pronta, preparada, ávida para ser amada. Intensamente amada. E é por isso que eu te amo.
Você sabe o quanto eu tentei evitar, contei toda a verdade, não omiti uma vírgula, disse exatamente em que "fase do jogo" eu estava, mas você não deu a mínima. Com a suavidade das realmente poderosas, disse apenas que nada a faria mudar de idéia.
Quando me vi, de repente, em meio a tanta bagunça, fios espalhados, caixas de som por todo canto, um estúdio completamente em desalinho, olha só: eu já te amava.
Assim mesmo, de verdade, como quem tem toda certeza do mundo sobre o amor que sente pelo outro.
Mas, espera um pouquinho. Descrito assim nem parece que você teve um trabalhão, né?
A verdade é que a gente para pular do impossível ao possível, do improvável ao provável levou quase um mês. E foi você quem me provou que éramos possíveis ou viáveis ou tangíveis ou prováveis ou comíveis, sei lá.
Foi você quem cometeu a deliciosa imprudência de entrar na minha vida sem pedir licença e revirá-la pelo lado certo, quando tudo estava virado ao avesso.
Eu comecei dizendo a verdade e é tudo verdade mesmo, mas me ajuda, confessa, anda...você me seduziu e me cativou, subiu a serra e...
E... o mais bacana é que não houve jogo. Você até poderia usar, mas não usou o lendário poder de sedução das escorpianas. Muito menos lançou mão daquele jeito "mulherzinha" de ser, que as mulheres, quando querem, lançam. Ali você me ganhou. Ali eu vi que estava diante de uma mulher de verdade. Posso dizer que ali você me pegou à unha, na marra, com estilo, caráter, generosidade, dispensando os requisitos mais básicos que toda mulher comum exige.
Você me ganhou por ser incomum e por saber exatamente que o respeito é a essência da conquista.
É, Madama Gonçalves, a essa altura do campeonato, depois de tantos títulos perdidos e conquistados, tanto por um quanto pelo outro, só existiria mesmo um jeito de a gente chegar à final e dar a volta olímpica: com todo o respeito.
Hoje nos vemos como opostos suplementares. Desde os hábitos mais cotidianos ao jeito de viver a vida. Somos, reciprocamente, o alter ego, um do outro.E isso é uma delícia, porque eu queria ser eu..... do seu jeito. E você, você... do meu.
O amor é lindo, não é mesmo?
Acabamos de nos falar pelo MSN e senti que faltava dizer algo mais. Uma coisa que não coube e nem vai caber jamais naquela caixinha ridícula e que não se pode expressar através de emoticons imbecis.
Havia de ser uma coisa mais densa, mais forte, como um orgasmo, talvez.
Por isso, Madama, aqui estou, em pessoa, eu, a lhe dizer em repetidos control c + control v, que te amo.
Pode ser para sempre, se você quiser. Mas, se preferir, que seja só até nos virmos pela última vez.
Tudo bem. O importante é estar vivendo isso agora.
E sabe do que mais?
Eu te amo muito!
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