
Eu sei, eu sei, hoje é sexta-feira, meia noite e meia, ou seja, melhor, já é sábado, começo de madrugada, clima frio, meio chuvoso, todo mundo em casa, não, na rua ou, pelo menos, fora de casa, procurando um centro, um canto, uma cantada, uma mesinha, um balcão, um encosto, uma coberta, um cafuné, um cafezinho, um chocolate, um scotch, alguém que valha à pena ou que não dê despesa. E, por falar nisso, hoje, sábado, é dia de abrir o olho e deixar o carro em casa, chamar um táxi ou sair de carro sem beber nada, fechar o corpo, pedir proteção, orar, rezar, benzer, arriar e entregar o destino na mão do acaso, porque Deus hoje está descansando. Portanto, o mais indicado pode ser tentar dormir um pouco, nem que seja na cama, na marquise, na calçada, na suíte ou na maca, porque a semana ta no fim, mas foi braba e a pressão só aumenta. A cobrança é madrasta. E hoje é dia de confusão.
E se a gente acha que vai dar certo, com certeza vai dar certo, porque por mais que dê errado, a gente acha que vai dar certo, porque alguém recebeu um PPS dizendo que no fim tudo acaba bem. E que se não está bem, é porque ainda não chegou ao fim. Da vida. Não é que a gente deva enxergar o fim de semana como o fim da vida, mas como um dia acontece, no dia que acontecer, a semana acabou ali. É uma sensação esquisita, você olhar a TV, porque ficou em casa, na madrugada de sábado, é claro, e descobrir que nada acontece, exceto os preparativos para o próximo show do Michael Jackson. Um desfecho digno, aliás, de um autêntico "Circo dos Horrores". Pelo que posso ver aqui, porque mantenho os olhos bem abertos, é que o funeral vai virar um evento com tributo e distribuição de ingressos pela internet. Só falta o esquartejamento do cadáver com os pedacinhos divididos em delicados sachês com as iniciais MJ bordadas em linha de sutura. É o fim dos tempos. Como dizia Alziro Zarur: "Jesus deve estar mesmo chamando".
Alziro, além de ser o homem da sopa, foi o precursor do Big Boy. Foi a voz marcante da Rádio Mundial AM, antes de o Dr. Roberto Marinho, cujo funeral não foi no Maracanãzinho, tê-la comprado pra transformá-la em show musical. E, quase finalmente, sem um bom show musical para ouvir, posto que a Mundial morreu de overdose de informação e doou seus órgãos para a Rede CBN, eu me despeço de vocês, deixando meus parabéns por tudo isso que representam pra mim. Quanto ao que vocês representam pra mim, eu devo dizer que depende. Depende de cada um. De cada um com seu cada um. De cada qual com seu cada qual. Não é possível generalizar. Feliz ou infelizmente, não sei, porque a generalização é um positivo efeito moderno da globalização e como tal requer menor especificidade na administração das diferenças. E, por isso, caso fosse possível afirmar que você é exatamente igual a Andréa eu não precisaria me apaixonar pela Andréa nem pela Silvana. Apaixonaria-me por você, que já é de casa. E, por falar em casa, eu sei, eu sei, hoje é sexta-feira, meia noite e quarenta, ou seja, melhor, já é sábado, começo de madrugada, clima frio, meio chuvoso, todo mundo em casa, não, na rua ou, pelo menos, fora de casa, procurando um centro, um canto, uma cantada, uma mesinha, um balcão, um encosto, uma coberta, um cafuné, um cafezinho, um chocolate, um scotch, alguém que valha à pena ou que não dê despesa.

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